Arquivo de Novembro, 2007

Enterrar com humanidade

Novembro 30, 2007

Quando eu era pequeno nunca tive a permissão de ir a um funeral "isso é coisa para pessoas crescidas" dizia a minha Mãe, mas o certo é que sempre tive um verdadeiro fascínio pela Morte e pelas pessoas afectadas por ela. O Dia de Todos-ps-Santos era um dia em que eu via muita gente a ir aos cemitérios e onde havia um enorme comércio de flores mesmo ali à porta.

Quando o meu tio Max faleceu tudo mudou, pude ir pela primeira vez a um funeral. Eu sabia que a minha tia Feliciana gostava muito do seu marido, mas aqueles gritos dela naquela tarde chuvosa e cheia de vento cintilaram no ar e penetraram no coração de todos os presentes no cemitério de S. Domingos de Rana. A isso juntou-se um acontecimento hilariante, o vento levantou a sotaina do Padre e as folhas do livro que ele tinha voaram deixando o pobre homem completamente perdido. Estávamos muito tristes mas ao mesmo tempo ver o Padre atrapalhado foi das cenas mais cómicas que tive na vida. Quando o caixão foi levado à terra, a tia Feliciana gritava "Adeus meu querido Max, nunca mais te vou ver!", foi de tal forma impressionante que ainda hoje me emociono ao lembrar-me.

Entretanto tive a oportunidade de ir a diversos funerais e sempre me indignei ao ver a falta de sentimento dos Padres para com a família do defunto. Por diversas vezes chegavam tarde e a más horas, davam um cumprimento rápido à família chegada do defunto (quando o davam), a missa era dita num ápice e com sentimento fingido e a conta era mandada para casa. Estava feito o serviço. A funerária aparecia mesmo no fim da missa para ir buscar o caixão provocando um nó no exófago dos presentes, lá punham o caixão à pressa na carreta e ía-se a 20 ou 30 à hora para o cemitério. Se este fosse longe, "lá na terra", era um acelera que enjoaria qualquer falecido.

No cemitério eram feitos os últimos ritos, abria-se o caixão e deitava-se a cal, havia "o beijinho da praxe para quem queria" e enterrava-se a pessoa, não esquecendo de fazer o "feitio" com a terra assim que a cova estivesse tapada. Depois dava-se os pêsames à família do defundo e voltávamos à nossa vida.

Quando vim para a Bélgica estava muito curioso sobre como seria um funeral e quando a altura chegou fui surpreendido no bom sentido. A assistência pastoral era como em Portugal, quase mínima, chegando ver mesmo um Padre bêbado a celebrar a missa e a recusar mesmo ir à campa (no funeral da avó paterna da minha mulher), mas o que me sensibilizou bastante foi a atenção da agência funerária. A preocupação principal era a de acompanhar e confortar a família, amigos e conhecidos do falecido. Tudo era feito com um amor, carinho e atenção que me ultrapassaram toda a compreensão. Imediatamente decidi que era aqui na Bélgica que um dia quero ser sepultado. A forma como preparam o cadáver mostra um respeito como nunca vi antes, o acompanhamento, a organização do local onde o serviço religioso é feito, tudo é preparado e acompanhado ao mais pequeno detalhe.

Aqui um caixão nunca desce à terra em frente da família e amigos a não ser que estes explicitamente o solicitem. O responsável da funerária faz um pequeno discurso improvisado ali mas com palavras muito sábias, é enternecedor. Também não se vê o espetáculo horrível de abrir o caixão e deitar a cal à frente dos presentes. É tudo feito com uma reverência que comove qualquer pessoa.

Após o funeral a agência funerária acompanha as pessoas a uma sala alugada pela família (se esta assim o entender) onde coordenam o estacionamento dos automóveis e acompanham as pessoas até aos lugares onde se devem sentar para tomar um pequeno lanche ou uma bebida. Que diferente do nosso País! Aqui as pessoas choram mas nunca assisti a gritos nem a desmaios, mas isso faz parte da cultura de cada povo, cada um vê a morte à sua maneira, mas acho que, depois de ver os exemplos belgas, as funerárias em Portugal poderão melhorar os seus serviços.

PS. Ao escrever este post baseio-me aqui nos funerais a que assisti em Portugal entre 1981 e 1991. Com este post não pretendo atacar ou criticar as agências funerárias ou os seus funcionários, pretendo sim dizer que prefiro o modo como é feito um funeral aqui na Bélgica e quem sabe, dar "ideias novas" a uma actividade que merece todo o respeito e apreço da sociedade.

Concordo!

Novembro 29, 2007

Diplomacia Socratina

Novembro 27, 2007

As Presidências Portuguesas da União Europeia pautam-se pela mesma bitola que a política nacional, pela inépcia e pela completa subserviência aos grandes. Quando há umas cimeiras lá se levam os líderes europeus “à terra onde nascemos”, oferecem-se umas especialidadezitas da casa, mostram-se as autoestradas feitas com as ajudas e por aí fica a coisa. Mas desta vez Sócrates vai fechar com chave de ouro ao permitir entrar em território europeu dois líderes africanos exemplares e livres de qualquer censura: o Coronel Kadhafi da Líbia e Robert Mugabe do Zimbabwe. Nos próximos dias Engenheiro (?) José Sócrates, Portugal vai aparecer nas notícias aqui na Europa desenvolvida, mas como é costume, pelas razões erradas.

Grande gafe!

Novembro 26, 2007
Parece que a malta nova do Largo do Caldas anda um bocado perdida, ora vejam isto. E depois admiram-se porque é que o País não vai para a frente e afirmam-se de patriotas quando nem sequer conhecem a História de Portugal! Será também esta uma das razões pelas quais o CDS-PP é um dos partidos democratas-cristãos mais pequenos da Europa?

Today I went to the Temple!

Novembro 24, 2007

Today we went to the Temple. We had a wonderful baptismal session with the youth and we could baptize many people. It was wonderful to enjoy the spiritual peace in The House of the Lord.

PS. Sorry for the written mistakes in the video.

Adrupto

Novembro 23, 2007

Eu alinho na brincadeira, hoje ligamos todos ao Adrupto!

Política à moda da Bélgica

Novembro 23, 2007

Ontem no Parlamento Federal o deputado flamengo Gerolf Annemans teve a coragem de pedir um debate e votação sobre a independência da Flandres e sobre o fim da Bélgica. Apenas o seu partido e a Lista Dedecker votaram a favor, todos os outros partidos votaram contra, salvo abstenções dos deputados da NVA e de alguns do CD&V e Open VLD. Notou-se mais uma vez que o tabú da cessação da Bélgica continua na ordem do dia por pressão da casa real, mas nos corredores da política e na rua é um assunto que é debatido abertamente.

A Bélgica é um estado formado artificialmente apenas com o acordo das potências europeias do Século XIX, para o qual a população local nunca foi tida nem achada. Foi até depois da Segunda Guerra Mundial dominada pela minoria francófona (30% da população), mas desde então a maioria flamenga (60% da população) tem vindo a reinvindicar direitos e a afirmar a sua identidade específica quer a nível político, linguístico e económico-social para grande frustração da minoria francófona e da casa real. Esta é por excelência francófona e não demonstra qualquer interesse em falar correctamente a língua maioritária do país, ajudando por isso, aos atritos entre as duas comunidades principais do reino.

Yves Leterme está há quase 6 meses a tentar formar um Governo Federal mas até agora os progressos conseguidos foram quase nulos. Cabe-nos a nós perguntar até que ponto vale a pena continuar com um país que em todos os aspectos nada tem em comum com a outra parte. O que se vive aqui é a constante tentativa de combinar água com azeite. Pode durar por alguns segundos mas o azeite, teimoso, vem sempre ao de cima. É isso que vai acontecer mais cedo ou mais tarde, mas quanto mais cedo melhor.

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Pensamentos do dia

Novembro 22, 2007
  1. Adorei as declarações de Scolari porque este País está cheio de treinadores de bancada. O homem tem os seus defeitos como todos nós, mas é o melhor seleccionador que alguma vez já tivémos. Apesar de ser Brasileiro é o mais Português que por lá passou. Esquecemos muito depressa o que ele e os seus pupilos fizeram por nós. Aqui vai uma vez mais o meu agradecimento.
  2. Não há melhor maneira de começar o dia do que ligar o computador e ver as fotos de Portugal que recebo por RSS. Para quem mora fora do nosso lindo rectângulo essas fotografias valem mais do que muitas vitaminas juntas.
  3. Abrir um mail e ler algo que nos faz rir até às lágrimas. Desta vez foi o Mário que me mandou:

"Que bom seria se um deputado tivesse febre aftosa; peste suína; ou gripe das aves. Aí…..seríamos  obrigados a sacrificar todo o rebanho…!!!"

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Portugal ultrapassado pela República Checa

Novembro 21, 2007

No Telejornal da RTP acabou de ser noticiado que Portugal está mais pobre. Foi ultrapassado pela República Checa e tem os preços mais caros que na Grécia e na Coreia do Sul, e os preços são quase como em Espanha. Estará alguém no Largo do Rato ou em S. Bento a ver as notícias ou vão dizer que a RTP se enganou?

 

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Poland between 1939 and 1990

Novembro 21, 2007

A few days ago I found this very interesting article on the history of Poland between 1939 and 1990. It’s moving to see how Patriot this People is, thinking first about their Nation and serving it so faithfully!

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