Ontem passei o serão com muito interesse a ver os resultados das eleições. Todos ganharam excepto o PS. Apesar de ter tido o maior número de votos tiveram um menor número de municípios, o que não foi surpresa para ninguém.
A abstenção baixou mas continua elevada, o que é motivo de preocupação. Muitos portugueses entraram na apatía de não ir votar e de deixar os outros decidirem por eles. O não fazer uso deste direito básico de cidadania é quanto mais grave por que manifesta o claro fosso entre a sociedade civil e os políticos. É também a alienação do direito de voto livre que durou mais de meio século a conquistar. Como disse numa crónica anterior, ontem ficou mais uma vez patente que os políticos precisam de se aproximar dos eleitores e de se interessarem pelos problemas do cidadão comum, só assim será possível combater a abstenção a longo prazo. Esta tem sido a razão do sucesso do Bloco de Esquerda. No princípio todos gozaram com os “putos” que fazem campanha com a prata da casa, hoje eles são uma força a ser levada em conta, e não acredito que fiquem por aqui.
Na noite das eleições todos vimos que a campanha de Carrilho não deu os resultados pretendidos pelo candidato nem pelo PS. A campanha em família não funciona em Portugal, o que os portugueses querem é que os problemas sejam solucionados de forma eficaz. Vimos também algo que em outro país democrático não se vê, cidadãos candidataram-se sendo arguídos em processos judiciais. Os portugueses exigem por um lado rigor e competência e por outro lado elegem políticos que são suspeitos de diversos crimes. Este é uma das contradições da sociedade portuguesa. Até prova do contrário, todo o indiciado é presumivelmente inocente, mas o incompreensível é que mesmo antes do início dos processos judiciais, e todos sabendo o que se passa, esses candidatos puderam candidatar-se e serem eleitos de forma esmagadora e inequívoca.
Se por um lado o povo português mostrou maturidade política ao separar eleições autárquicas com a situação geral do País, por outro elegeu todos os candidatos indiciados em processos crime. Dá que pensar.